A Cabana | Uma linha tênue entre a fé e a realidade em que vivemos

Não costumo, mas o texto sobre a crítica de “A Cabana” abaixo pode conter algum tipo de spoiler, o mínimo que pode fazer alguma diferença para você.

O filme “A Cabana” teve sua estreia nas telonas em em abril deste ano, e ouvi muitas pessoas falando sobre ele, o que foi despertando em mim como sempre a vontade de deixá-lo de molho para assistir até baixar a poeira. Já partindo para o final de julho, finalmente assisti, e para ser sincero eu não tinha lido nem a sinopse dele, não vi trailer e fugi de spoiler assim como o Diabo foge da cruz. Eu confesso que pelo nome até achei que fosse mais um desses filmes toscos de terror, digo “tosco” porque acredito que ainda está pra nascer um filho de Deus que vá produzir um filme descente do gênero. Se tiver um top para indicar, vou ficar feliz.

Para mim o filme foi uma verdadeira surpresa, gostei do tema, “Fé”, e de como ele foi retratado na produção do jovem diretor Stuart Hazeldine, sendo um típico filme que gera uma diversidade imensa de opiniões em torno da realidade, afinal a provação ao qual Mack (Sam Worthington) foi submetido não está na natureza comum do ser humano.

A Cabana

Num modo mais clichê podemos dizer que Mack vai do céu ao inferno diversas vezes no filme, transitando por uma rotina equilibrada até uma perturbação psicológica drástica que corrompe o estereotipo de família feliz, tudo causado pela repentina morte de um membro da família. Neste ponto o diretor enfatizou uma super valorização de culpa sendo esta a maior causadora das dores da família, momentos que nos levam à reflexão do quanto somos culpados por determinadas ações, suas causas e consequências, um martírio consciente de uma pergunta simples que pode ficar nos perseguindo, “E si…?”

O roteiro foi muito bem escrito e estruturado, tornando-o interessante e bem pouco cansativo no incio quando os personagens são apresentados, porém de suma importância para dar gancho à cativação emocional por cada um deles. A quebra de rotina torna o filme mais ritmado e embora contextualmente dramático devido a causa sempre presente, o filme ganha força com “a jornada do herói” onde Mack viverá suas mais intimista vivência com Deus.

A proposta de trazer Deus com formas diferenciadas para a produção foi sensacional, num primeiro momento como uma mulher negra (Octavia Spencer) e o discurso feito por Sophia (Alice Braga) é de nos fazer parar de ver o filme, dar uma boa chorada e refletir sobre as nossas próprias vidas. A maneira como a divindade é apresentada a Mack e a forma como foram colocadas as terapias de fé para “curar” as dores psicológicas dele foi simplesmente demais.

A Cabana” nos coloca na parede, por mais religiosos que possamos ser, como de fato reagiríamos à um caso tão forte como Mack e sua família viveram? Como você agiria perante o assassino de um de seus familiares? Você seria capaz de perdoar em nome da fé? Ou por qualquer outra razão, qual? A experiência de Mack o transformou e consequentemente a sua família, mas foi precisa praticamente uma interversão divina para que isso ocorresse.

A produção técnica é mediana, boa fotografia, atuações excelentes e em especial da atriz Octavia Spencer que da um show e locações simples, considerando que nem seria tão necessários serem tão rebuscados pela simplicidade da história baseada no livro de William P. Young, lançado em 2007 nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil pela Editora Sextante em 2008. No ano de 2009 ganhou o Diamond Awards por ter vendido 10 milhões de cópias nos EUA.

Reflexão e mais reflexão, opinião e ao debate é o que faz “A Cabana” em relação ao intenso questionamento humano, incansável e talvez até mesmo com a própria interversão divida, imutável.

Cleber Almeida
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Cleber Almeida

Formado em publicidade, produção audiovisual e locução, Cleber Almeida é apaixonado por música, filmes e fotografia. É o fundador do site eVÍDEOCLIPE, da produtora NaMosca Produções e também e fundador da Rádio Social Plus Brasil.
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