Crítica – Filme Liga da Justiça

Atenção, o conteúdo abaixo contém spoiler sobre o filme.

O aguardado filme “Liga da Justiça” finalmente teve sua estreia no último dia 16 de novembro aqui no Brasil e para você que já viu ao filme, sabe que tanto marketing lançado para promover a produção não justificou o que o filme realmente é.

É claro que não vamos tomar como base as expectativas criadas, afinal, nos últimos tempos o que mais tem gerado expectativas nos cinemas são os filmes de heróis, e todos esse alarde em cima do filme que contou até mesmo com uma corrida de rua realizada em São Paulo, o que podemos ver na reunião de heróis da DC Comics foi um filme fraco e com diversas tentativas de colocar os personagens mais próximos do público incrementando uma velha tática usada há muito tempo pela Marvel, uma pitada de comédia com intuito de tirar aquele ar pesado do herói que tem o compromisso de salvar a humanidade.

Nessa tentativa eu até gosto da libertação do herói intocável, incorruptível e sóbrio, o diretor Zack Snyder, que diga-se de passagem é um puta diretor, jogou uma garrafa de bebida alcoólica na mão do Aquacman, deu bebida para o Bruce Wayne para a Diana e colocou o Barry Allen pra comer uma caixa de pizza sozinho. Curto isso e mostra muito bem como que até deuses acabam se corrompendo à alguns prazeres insignificantes da Terra.

Enredo do filme

O enredo do filme tem como base a dominação do planeta terra pelo Lobo da Estepe (Steppenwolf), ao qual invade o planeta em busca de unir as Caixas Maternas, que não foram bem explicadas no filme, e tornando-se indestrutível e dominador. De um outro lado, temos Bruce Wayne em sua busca incansável pela junção de potenciais heróis que podem auxiliá-lo a interromper os planos do Lobo da Estepe, além de chegar a conclusão de que seja necessário ressuscitar o Superman.

O retorno do Superman

E com esta premissa, é que entra o ressurgimento do Homem de Aço após sua morte na luta contra o Apocalipse, criado por Lex Luthor, como vimos em “Batman vs Superman“. Depois do depoimento de Danny Elfman dizendo que a trilha teria a utilização do tema original de Superman criada por John William e seria usada em um momento que pode exigir muita atenção dos fãs e marcara uma possível transição do herói para um dos lados, do bem ou do mau, eu esperava muito mais do que foi apresentado, cheguei até mesmo a crer que o Superman poderia ser o grande vilão da história, mas não, Bruce consegue usar a força de uma das caixas para ressuscitá-lo, ele volta meio confuso, até rola uma treta entre eles, mas a presença de Lois Lane trás as memórias dele de volta mais rápido do que poderíamos imaginar e compreendendo os motivos que Bruce o trouxe novamente à vida, ele em definitivo entra para a Liga de heróis. Tanto se falou nessa volta do Homem de Aço que na minha opinião poderia ter sido melhor explorada.

Os personagens

Quanto a presença de cada personagem serei breve, pois tenho minha opinião bem definida sobre cada um deles. Muita gente falou bem mau quando escolheram o Ben Affleck para ser Bruce Wayne/Batman, eu eu sou bem do contra a esta opinião. Não quero colocar em comparação a obra do Nolan, mas pra mim o Batman de Affleck é muito melhor que o de Bale. Talvez essa minha opinião esteja diretamente ligada ao fato dele estar vivenciando um Batman nos moldes Frank Miller que eu acho sensacional e porque o perfil do Affleck é muito Bruce Wayne.

Sobre o Superman nem precisa falar muito também, o ator Henry Cavill caiu como uma luva na pelo do personagem e para mim é um dos melhores de todos os tempos, podendo ficar lado a lado ainda com Christopher Reeve, que no seu tempo, foi o melhor!

Também gosto da Gal Godat como Diana Prince/Mulher-Maravilha, creio que o personagem se manteve original e ela tem dado conta do recado, só não conseguimos muita comparação, afinal esta é a primeira vez que a personagem aparece desde a famosa série do final dos anos 70. Idem para Ezra Miller como Barry Allen/Flash e para Ray Fisher como Cyborg, ambos mandaram muito bem na pele de seus personagens. E por fim, ator Jason Momoa deu uma nova personalidade ao Acquaman que estamos acostumados a ver, afinal, para quem não está totalmente ligado ao universo DC Comics, o Acquaman mais conhecido certamente é o que vimos por anos nos desenhos da Liga da Justiça que passava na TV na década de 80. Ele aparece como nos quadrinhos em “Aquaman Vol 5 #17” lançado em fevereiro de 1996, com uma baita barba e bem cabeludo. O tom emburrado e ao mesmo tempo sarcástico também deu uma proximidade interessante ao personagem junto ao público, detalhe que é bem importante que tenha acontecido, pois em 2018 vem aí um filme solo do personagem.

O filme em si

Bom roteiro, interpretações medianas e feitos visuais legais, mas nada que mereça um grande destaque. Como sempre a DC Comics e Warner se mantiveram afogadas na quantidade de informações que o universo DC Comics tem por trás de cada personagem, por trás de cada multiverso e o que temos é um filme com muita movimentação, muitas coisas acontecendo e poucas explicações. A grosso modo dizendo o filme é apenas a porta de entrada para a reunião de heróis e para mostrar que o Superman é o “pica da galaxia” e que sem ele o mundo estaria perdido.

Espero que a DC Comics esteja sim preocupada em arrumar a casa e que os filmes solos previstos comecem a superar essa “falta” de engajamento do público com as histórias. Como bem se sabe, cenas com o Cyborgue, personagem fundamental para a trama de Liga da Justiça teve várias de suas cenas de origem deletadas do corte final. Com isso, há espaço para explorar a vida de Victor Stone antes de seu acidente, e como ele teve seu corpo transformado pela Caixa Materna. E isso sim é o que eu chamo de trazer mais proximidade dos personagens junto ao público geral e construir uma liga de heróis mais sólida.

Frustração

Pois é, esse título é bem esse mesmo, “frustração”. Em um diálogo entre Bruce Wayne e Alfred, fica claro que o Batman já travou um batalha com o Pinguim, e desta forma existe uma grande possibilidade de que o vilão não pareça pelos próximos filmes ou até quem sabe em nenhum. Acho uma pena não apenas pelo Pinguim ser um dos mais clássicos vilões da DC Comics, mas também pela incrível fase em que vem passando na série “Gotham” que já está na terceira temporada e é exibida pela Netflix e pela Fox. O ator Robin Lord Taylor está incrível como Pinguim, a série é fantástica e seria uma boa deixa para que o personagem entrasse nas telonas mais uma vez.

Lembrando que embora eu acredite ser difícil, nas cenas pós credito do filme Liga da Justiça, Lex Luthor diz ao Exterminador: “Que tal montarmos a nossa Liga?”. Isso pode ser um indício de que a “Liga da Injustiça” seja criada e o Pinguim faz parte dela. Quem sabe!

O que eu espero

O que acredito realmente é que a DC não está “vacilando”, portanto o que espero para os próximos filmes são as tais explicações que cito e que interligue os filmes e cada coisa. Considerando que o Flash apareceu para Bruce Wayne em Batman vs Superman, o que vem em minha mente é que em Liga da Justiça 2 a união de heróis perde a batalha para o Lobo da Estepe, lembrando que durante o arco dos Novos 52, ele apareceu na Terra-2 para enfrentar Kal-L (Superman da Terra-2), o Batman e a Mulher-Maravilha. E de forma chocante o vilão conseguiu matar Diana Prince, atravessando uma espada pelo corpo da heroína.

Com esta possível derrota, o Flash volta no tempo e avisa Bruce Wayne do perigo que estão enfrentando, mesmo que a comunicação tenha sido até mesmo mau compreendida momentaneamente, porém, Wayne prefere compreender que o perigo esta por vir e sabe da importância que o Superman tem para vencerem esta batalha. Por isso vemos sua obsessão por ressuscitar o Homem de Aço, ele chegou a dizer no filme: “A humanidade precisa do Superman”.

Partindo desta reflexão, podemos considerar que em Liga da Justiça 2 teremos uma nova batalha contra o Lobo da Estepe, porém, desta vez com a morte de mais dois heróis, considerando que o Superman já está morto. Seriam a Mulher-Maravilha por ele já ter feito isso na Terra-2 e o Cyborg partindo da cena quem em que o Lobo da Estepe arranca a perna dele em Liga da Justiça 1. Visto também que o Lobo da Estepe já vinha conquistando outros mundos e matando outros heróis como foi com o Lanterna Verde, por exemplo e que também fica bem claro no filme. Teríamos aí uma ligação entre os três filmes, o que seria surpreendente!

Minhas avaliações

Roteiro
Fotografia
Direção
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Trilha Sonora
Média
 

Cleber Almeida
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Cleber Almeida

Formado em publicidade, produção audiovisual e locução, Cleber Almeida é apaixonado por música, filmes e fotografia. É o fundador do site eVÍDEOCLIPE, da produtora NaMosca Produções e também e fundador da Rádio Social Plus Brasil.
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