CRÍTICA | Quando as luzes se apagam

Atenção, o texto abaixo contém spoiler do filme.

Quanto mais eu vejo filmes de terror, mais eu tenho certeza que ainda tá pra nascer alguém que consiga realmente criar um filme de encher os olhos, aquele que você nunca esquece, comenta e indica pra todo mundo dizendo que é bom e que você quase morreu de medo, e claro, que o final é espetacular.

É indiscutível dizer que isso é muito subjetivo, pois vai do olhar e interpretação de cada um, poderia até ir além e dizer que pode até depender do histórico de vida de cada um, mas isso é uma discussão que a psicologia pode falar melhor do que eu.

Assisti o filme “Quando as luzes se apagam“, produção do Reino Unido dirigida por David F. Sandberg, o mesmo que também dirigiu “Annabelle 2: A Criação do Mal“.

O filme conta a história de Rebecca (Teresa Palmer) que saiu de casa afim de apagar seus medos da infância e que estão ligados diretamente com sua mãe Sophie (Maria Bello), já que nunca soube o que era real e o que não quando as luzes se apagavam. Agora, seu irmão Martin (Gabriel Bateman) vive os mesmos eventos que já testaram a sanidade de Rebecca.

Rebecca e Sophie
Rebecca e Sophie

Tomando como base a minha particularidade do que possa ser um bom filme do gênero, “Quando as luzes se apagam” tinha tudo para ser uma ótima produção, por um instante cheguei a pensar que seria ao nível de “O Babadook” (filme que adorei) por conta de seu enredo e até mesmo pela certa semelhança em que os “fantasmas” tem entre si. Porém a diferença brutal entre esses dois filmes esta relacionada em como isso é mostrado. Ambos surgem dos medos, da depressão, do estresse, de desiquilíbrios psicológicos  de pessoas que buscam enfrentar seus medos mais profundos.

Mas “O Babadook” coloca essa questão de forma mais lúdica e é inspirado em um nome derivado de um conto popular sérvio, como se fosse o “Bicho papão” aqui no Brasil. Esse “fantasma” é uma projeção clara das perturbações psicologias de uma pessoa e que acaba se transformando em histeria coletiva, e a diretora Jennifer Kent deixa isso muito claro.

Em “Quando as luzes se apagam” a proposta é a mesma, porém as primeiras cenas já deixam claro que sim, existe um monstro real na história.

A questão de existir um monstro real na história não é o fator determinante para que ele se ruim, o que caracteriza esse detalhe é a forma como esse “mostro” é apresentado, algo digno de filmes de terror ruins e que deram certo apenas lá nos anos 80 em filmes como “Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio”, por exemplo. Até as simples aparições o filme ainda caminhava para um ritmo bacana, até que de fato as atividades paranormais começam a acontecer e interagir diretamente com objetos e pessoas. Mas tudo cai por água abaixo de vez quando os personagens compreendem o ponto fraco do tal monstro. Eles começam a usar a luz como arma para queimar a aparição na esperança de derrotá-la. A produção tem até mesmo cenas completamente desnecessárias como esta abaixo, que mostra o braço do “monstro” totalmente posicionado cinematograficamente numa cena onde ele é atingido pela luz. Não lembra as produções “trash” dos anos 80? Porém, as produções daquela época ainda tem um crédito por conta da época.

luzes

Queria ter a oportunidade de perguntar para o diretor David F. Sandberg se realmente havia necessidade de uma cena dessa.

Creio que pela proposta do enredo esse filme merecia algo muito mais voltado para psicologia do que para aparições fantasmagóricas, a materialização do espírito causada pelo desequilibro psicológico da personagem chega a ser bem interessante e poderia ser fortalecida se o monstro não aparecesse e as atividades fossem causadas por forças paranormais reagidas da mente de Sophie, algo semelhante ao filme “Atividades Paranormais”. Desta forma ganharíamos um mistério sobre o que é aquela sombra (monstro) e seriamos surpreendidos de forma mais impactante no final.

A produção num geral é mediana, nada demais na direção, nas atuações, direção de fotografia nem trilha sonora. “Quando as luzes se apagam” é um “quase acerto”, por detalhes ele deixou de ser bom. O tal “monstro” poderia ter ficado nas sombras e nunca ter saído de lá, e o final poderia ter sido fantástico se esta “sombra do mau” fosse libertada de toda família com a triste atitude tomada por Sophie.

E aí, qual é a sua opinião?

Minha avaliações

Roteiro
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Trilha Sonora
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Cleber Almeida
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Cleber Almeida

Formado em publicidade, produção audiovisual e locução, Cleber Almeida é apaixonado por música, filmes e fotografia. É o fundador do site eVÍDEOCLIPE, da produtora NaMosca Produções e também e fundador da Rádio Social Plus Brasil.
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