Por que “Moonlight: Sob a Luz do Luar” mereceu o Oscar?

Já estamos no meio do ano e apenas agora resolvi finalmente falar de “Moonlight: Sob a Luz do Luar“, esperei a poeira baixar, e bem, e como sempre, não li nenhum review do filme até escrever o meu para não ser influenciado. Vi o filme esta semana e cheguei a conclusão do por que ele mereceu o Oscar 2017, mesmo de forma, digamos, deturpada após o fiasco ocorrido na noite de premiação da academia.

Como foi muito falado, não nego que resolvi ver “La La Land” primeiro, afinal como mero mortal as vezes acabo seguindo o fluxo padrão de consumo. Confesso que fiquei decepcionado com o filme e tive dificuldades em vê-lo sequencialmente, então fui assistindo em formato série apenas para concluir, típico do filmes que dão sono. Mas segui forte e firme e este fato não me conduzirá a dizer que seja um filme ruim, muito pelo contrário, chega a ser uma boa produção e  temos que considerar que mesmo perdendo o prêmio principal, ele faturou 6 premiações ao qual três delas eu coloco como contestação em relação a “Moonlight”, sendo a direção, fotografia e trilha sonora original.

Embora ambos filmes tenham características relevantes em relação a estas três categorias, meu senso crítico me fez praticamente chorar com a beleza e sensibilidade artística de “Moonlight”. Não cabe aqui a comparação linguagem, afinal cada um deles tem o seu apelo, creio que “La La Land” um mais comercial assemelhado com os grandes musicais já feitos para o cinema e teatro, já “Moonlight” vejo com um apelo completamente filosófico, de contexto social e de pura arte cinematográfica.

O diretor Barry Jenkins foi muito feliz com a direção de “Sob a luz do luar” evidenciando movimentos de câmeras simplesmente maravilhosos como a que podemos ver logo de inicio em uma linda cena sem cortes onde a câmera (com recurso de steadicam) da algumas voltas nos personagens, além das cenas complementares que apoiam o argumento das perturbações que Chiron tem relacionadas as frustrações causadas por sua mãe que é dependente química, cenas que mostram os personagens em suas individualidades, olhando para câmera e com enquadramentos incríveis.

A fotografia do diretor James Laxton faz nossos olhos brilharem assim como cada cena do filme, cada cor, cada enquadramento, profundidade de campo e a nitidez de capitação. Já na primeira cena é possível notar que não veremos um filmes qualquer, o enquadramento no carro de Juan revela que a produção foi completamente planejada para entregar um trabalho de arte.

A trilha sonora do filme de Nicholas Britell nos leva para ambientes diversos, fora do tradicional, podemos passear por climas que nos remete ao medo, à angústia, à solidão, aos anseios de quem está em busca de libertação e não poderia ser melhor, especialmente quando numa parte do filme rola “Hello Stranger” com Barbara Lewis, só assistindo pra entender e se você já assistiu sabe bem do que estou falando, é simplesmente superior, é genial. É importante destacar ainda que temos “Cucurrucucu Paloma” por Caetano Veloso ilustrando uma cena do filme.

O roteiro também ficou por conta do diretor Barry Jenkins e foi escrito originalmente por Jenkins e Tarell Alvin McCraney, baseado na peça inédita In Moonlight Black Boys Look Blue do próprio McCraney. A escolha do casting e atuações são maravilhosas, envolventes, cativantes e garantiu ao ator Mahershala Ali o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, além de uma atuação brilhante da atriz Naomie Harris.

A lambança causada no Oscar justifica o prêmio dado à “Moonlight: Sob a Luz do Luar” que na minha opinião o recebe justamente pois é um dos filmes mais bonitos dos últimos tempos.

Se você ainda não viu o filme, eu gostaria que você deixasse para ouvir essa música apenas lá, mas eu não me aguento de tão fantástica e brilhante que ela é, então vou deixar aqui pra você conferir junto com o “trailer” do filme.

 

Minhas avaliações

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Cleber Almeida
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Cleber Almeida

Formado em publicidade, produção audiovisual e locução, Cleber Almeida é apaixonado por música, filmes e fotografia. É o fundador do site eVÍDEOCLIPE, da produtora NaMosca Produções e também e fundador da Rádio Social Plus Brasil.
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